tecnologia a serviço do esclarecimento de mistérios da humanidade #1
Pois bem.
Acho que todo mundo aqui já viu, tem ou tem um primo de Bauru que tem um telefone celular. Eles são peças cada vez mais sofisticadas, presentes e essenciais na vida de um. De cada um. Do todo. Todo mundo usa, neguinho já nem sabe mais como se faziam certas coisas antes dele.
Por exemplo:
Hoje, papo vai, papo vem, o cara já tem lá oito numerinhos em sequência quase lógica anotados no aparelho que praticamente são a senha de acesso direto às garotinhas de plantão. É téte a téte. Manda mensaginha, fala um alozinho, a moça atende longe do papai, de alguma que possa zicar a empreitada ou do galhudo e, pronto. Ta estabelecida a conexão sem nenhum dos riscos que corríamos no passado, quando se ligava seis ou sete números, numa sequência mais lógica ainda, e corria-se o risco do papai atender, de tomar um esporro de um velho, manco e gordo, “que que você quer com a minha filha, seu moleque??” sem ao menos ter arrancado uma bitoca. Difíceis tempos aqueles. Tinha que ser macho.
Nesse ponto dá pra dizer que o celular facilitou a vida. Mas, do ponto de vista evolutivo, fez um baita desserviço, criando coxinhas que não teriam, aos 14 anos, a caruda de falar “oi, seu fulano, posso falar com a sicrana, por favor?”, o que, para um papaizão desses pode soar exatamente igual a nada menos do que “alô, chama tua filha ae, MANO”.
Divago.
Volto.
Nem era exatamente disso que eu queria falar
O celular evoluiu muito como aparelho, e suas funções foram se aprimorando junto ao hardware e aos planos das operadoras. Qualquer celularzinho de merda tem algum tipo de atalho pra área das mensagens, “feature” secundário que caiu no gosto popular por ter custos mensuráveis. Todo telefone tenta facilitar o envio dos sms, apesar de uns terem tecladinhos tão pequenos que aperta-se 2 ou 3 teclas ao mesmo tempo, (salvo as maravilhas do touchscreen moderno). Mas a mensagenzinha caiu no gosto e hoje ela é, seguramente, responsável por uma parcela grande do que é escrito no mundo. Alguns diriam que se escreve mais com os dedões nas teclinhas do que com lápis, hoje em dia… a hipótese, verdadeira ou não, é verossímil.
Nos tecladinhos tradicionais, salvo engano, a sequência de letrinhas é a mesma: a tecla 2 é ABC, a 3 é DEF, 4 é GHI, 5 é JKL, 6 tem MNO, 7 para PQRS, 8 para TUV e 9 com os quase inúteis WXYZ. O trabalho que o peão vai ter para escrever uma mensagem depende do software do aparelho. Cada um tem algumas opções de esquema de escrever. Nos mais normais deles, você pode optar por apertar três vezes a tecla para chegar à terceira letra que ela oferece, uma vez para a primeira letra. Num outro método, que pode ser mais rápido, mas causar enganos, aperta-se uma só vez a tecla quando se quiser usar qualquer uma das letras dela. Assim se faz com todas letras de uma palavra: só uma vez, e, baseado na sequência teclada, o software tenta descobrir qual é a palavra mais coerente grafada com qualquer letra de cada tecla pressionada.
Às vezes dá merda, mas quase sempre dá certo. O programa deve ter um dicionário bacana lá dentro, e dificilmente ele não te oferece uma solução legal para a sequência teclada.
E pra que tudo isso?
Só pra questionar que, sendo o celular considerado uma avanço e tanto para as telecomunicações, estando ele presente nos mais íntimos momentos da vida pessoal, seja para chorar, sofrer ou compartilhar uma alegria, que raios será que ele quer dizer ao me oferecer, um toque antes de concluir minha meta, a palavra BAR toda vez que quero escrever CASA?

Mina gostosa.
Encontra-se em um BAR.
Se leva à CASA.
Aliás, taí uma palavra que faz o cidadão utilizar mais a tecla 9.
Sobre o âmago do texto: O “bar” antes do “casa” pode ser uma boa ou uma ruim. Certamente eh uma boa quando, esquecido de que precisa de uma breja, depara-se com a palavra “bar” e lembra-se do futuro do pretérito a tempo.
O fator ruim, por outro lado, pode acarretar numa não dormida lá dentro. Ocorre quando o sujeito, na vula de mandar a mensa, acaba enviando um “XOXA, vamos nos encontrar em BAR”, ao invés do preterido “XOXA, vamos nos encontrar em CASA”. Aí fodeo. Ou melhor. não fodeo.